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17/03/2015 - O universo (lácteo) em desalinho
O universo (lácteo) em desalinho
 
Sinais trocados e informações aparentemente antagônicas. Este é o cenário hoje no mercado mundial de derivados lácteos, na expectativa do que os resultados do próximo leilão da plataforma GDT (Global Dairy Platform), na próxima terça-feira (dia 17/03), vão apontar. 

Os fatores “baixistas” de preços

Algumas informações recentes apontam para a direção de que a recente reação nos preços internacionais foi um efeito efêmero e que novas reduções nas cotações internacionais devem ser esperadas daqui para frente.

Inicialmente, é fato que, ao menos até janeiro de 2015, o volume de sólidos de leite produzidos na Nova Zelândia é 4,3% maior nesta safra do que na safra 2013/2014, apesar das condições efetivamente desfavoráveis de chuvas naquele país desde outubro de 2014.

Ao mesmo tempo, a bolsa de futuros da Nova Zelândia (NZX) dá sinais de que os preços dos lácteos se estabilizarão. Se em fevereiro grandes aumentos de preços foram alcançados e a curva de preços futuros, inclinada para cima naquele momento, indicava US$ 4.000 a tonelada do leite em pó integral para julho-agosto, as negociações da semana passada na NZX colocaram o contrato de leite em pó integral de março em US$ 3.200 a tonelada e o de outubro em US$ 2.900 a tonelada.

Adicionalmente, os elevados estoques americanos de leite em pó desnatado e a desvalorização do euro frente ao dólar podem significar maior oferta no mercado internacional e menores preços n horizonte.

Os fatores altistas de preços

O ritmo atual de abate de vacas na Nova Zelândia é o maior das últimas 10 safras. Entre junho de 2014 e janeiro de 2015 os produtores abateram 694.987 vacas e novilhas, 24% a mais do do que na safra 2013-2014.

Normalmente na Nova Zelândia o número de abates aumenta de acordo com a proximidade do outono e atinge seu pico entre os meses de março e maio de cada ano. Alguns fatores podem explicar este crescimento nos abates: a redução drástica na sinalização de preços ao produtor de leite, a redução dos preços internacionais de lácteos (ainda que o primeiro efeito tenha sido causado por este segundo), as condições climáticas (forte déficit de chuvas naquele país nesta safra) e o aumento dos preços internacionais da carne.

Mais vacas abatidas agora significa menos vacas em produção na próxima safra, o que deveria ser um fator de expectativa de preços mais elevados na safra 2015/2016.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de crescimento da produção na União Européia é de cerca de 1,5% em relação a 2014, contra um crescimento acima de 4% no ano passado. Esta projeção acontece mesmo com a saída do sistema de cotas de produção naquele mercado, que, teoricamente, deveria significar um aumento dos volumes produzidos.

Somados a estes fatores temos que a China retornou às compras no mercado mundial, ao menos de acordo com as estatísticas de importações no mês de janeiro (últimas informações disponíveis...!). Foram cerca de 115 mil toneladas de leites em pó importadas pelos chineses em janeiro, contra “apenas” 51 mil em dezembro de 2014. Ainda assim, o volume de janeiro de 2015 foi 32% inferior às importações de janeiro de 2014.

“Juntando” altos e baixos e as dúvidas que os diferentes sinais de mercado nos indicam, ficamos de “olho” no que vai acontecer nas próximas semanas e nas eventuais oportunidades (ou ameaças!) que possam surgir para o leite brasileiro. Vale lembrar que, de qualquer forma, já houve uma forte recuperação nos preços médios de acordo com a plataforma gDT. Entre 2 de dezembro de 2014 e 3 de março de 2015, os preços subiram 42,7% em dólar. Se considerarmos a desvalorização do real no período, de cerca de 20%, percebe-se que o leite brasileiro ficou bem mais competitivo no espaço de apenas 3 meses. Resta saber ainda se haverá leite para exportar.